terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Hoje a nossa música tocou

Era quase meia-noite, a luz do abajur já tinha começado a fazer minha cabeça doer, meus olhos pesavam querendo descansar, mas eu insisti em abrir a saudade engaiolada em um site qualquer. Digitei aquelas letrinhas e com um clique estava eu na página onde eternizei meus momentos com você, a playlist automática começou a tocar e o assovio doce daquele cantor descontrolado me fez viajar para onde estava negando ir: até você. 

Quis doer a falta que eu sinto aqui dentro, mas eu sorri. Sorri para todas milhões de lembranças que passaram num filme rápido em minha cabeça. Nossos pés na areia no fim de ano, a brisa morna do vento salgado da praia se chocando com nossos rostos, a lua sendo cúmplice do nosso romance. As mil vontades adolescentes de dominar o mundo antes dos 20 anos e todo o excesso sentimental que não sabíamos domar veio a tona. 

Se eu pudesse reviver algum dos nossos momentos, reviveria nossas brigas. As mesmas que nos fazia ficar mais fortes dentro de um amor juvenil, as quais geravam dores e arrependimentos, mas no final maturidade para perdoar. Reviveria nosso amor inocente sem mudar uma vírgula, pois toda a pontuação errada é que o fez se tornar eterno dentro de mim.

Eu sinto sua falta, não me reprimo ao dizer. Sinto falta do garoto sonhador que eu tanto acreditei que iria longe, sinto falta da confiança louca que depositava nos meus desejos ainda mais malucos. Sinto falta da gente se descobrindo, inventando amor de conto-de-fadas numa vida totalmente real. Fomos loucos por sermos nós mesmos e seguirmos as próprias vontades enquanto o mundo vivia designado a todo tipo de coisa.

Sinto falta de quem eu era ao seu lado, antes dessa coisa toda de descobrir a responsabilidade de viver, antes de entender que o amor é mais complexo do que já pensamos que era. Sinto falta da garota hiper ciumenta, preocupada, cheia de afobações que já fui um dia. Agora tudo é tão pleno, tão calmaria que nem me lembro como é ser tempestade.

Hoje a nossa música tocou e eu lembrei o quão bom era te ouvir cantá-la entre um cafuné e um beijinho. Eu lembrei de você, como quem não quer nada e meu coração apertou um pouquinho se perguntando se ainda lembra de nós dois como eu. 

Vou te contar um segredo, mas fica entre nós, coloquei para repetir nos fones de ouvido e dormi escutando as batidas do teu coração, tal como eu me lembro. Talvez ainda te encontre onde tudo é surreal como já fomos, talvez você resolva me visitar em sonhos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Ela não é tudo isso, mas é ela mesma

Não é como se fosse um projeto de boneca perfeita feita exatamente para agradar, pelo contrário cara, ela não é perfeita e nem quer ser. Ela não é tudo isso que mostram nas revistas, o corpo não é escultural e o mais bonito é que photoshop nenhum esconde as cicatrizes nos joelhos de menina pirralha. Ela não é nem de longe o modelo de exemplo da sociedade, não tem os olhos mais lindos do mundo, mas tem o olhar mais sincero de todos e isso é o que realmente vale. 

Não nasceu pré-determinada, mal sabe o que fazer do próprio futuro mesmo que siga em frente com os objetivos. É desastrada e não tem vergonha de admitir as próprias falhas. Ela é sincera, sabe o que não quer e não lida bem entre escolher aquilo que quer. É uma pessoa qualquer cheia de sonhos e desapontamentos que vive batendo o dedinho na quina dos móveis quando esquece o horário de acordar. Ela é atrasada, desengonçada, anda esquisito e tem manias estranhas, mas é ela mesma.

Ela não é tudo isso que vivem procurando por aí, não tem o melhor cabelo do mundo e o sorriso nem é tão bonitinho assim, porém é extremamente espontâneo. Ela é leve o suficiente para parecer linda sem ser tudo isso, tem uma voz que contagia e uma risada que faz o mundo querer rir junto. Não, ela não anda com roupas da moda, prefere calça de moletom ou cara limpa no dia-a-dia e tudo isso, ao invés de deixá-la ridícula, a deixa cada vez mais linda.

Ela não se importa com as peculiaridades da ditadura da beleza, ela tem personalidade própria para não se deixar levar pela poluição informativa. Não é do tipo que chama atenção, quando passa quase ninguém olha e talvez, quando olhem vão rir do modo descontraído de se portar. Mal sabem esses que o mais importante não é beirar o ridículo para o mundo e sim, sentir-se bem consigo mesma. E ela preza a sua autoestima, ela se conhece tão bem que não se abala com as fofocas corridas. 

Ela é tão ela mesma que gera inveja ao redor, uma inveja que ela transforma em amor no filtro da sabedoria e envia de volta. Ela não segue padrões expostos, faz um pouco de tudo por simples prazer e nesse tudo, nada é certo. Ela tenta e não desiste de ser diferente na vida, não quer andar na linha tênue robotizada da humanidade, ela é diferente. 

É extravagante, despreocupada, não sente vergonha de expor sua criança interior na vida adulta, é decidida, tem um foco extremo e uma preguiça incontrolável. Ela não é um exemplo a ser seguido, não merece aplausos por seus feitos e não é dona de uma vida invejável. Ela é simplesmente ela mesma, sem mistérios. Por fora um poço de liberdade, uma vida aberta sem medo de expor seus sentimentos, por dentro um labirinto infinito de descobertas cada vez mais incríveis.

Não se deixa abalar pelos desprezos ocultos, não se importa com os olhares tortos. Ela retribuí o mundo sorrindo, é grata por cada novo dia. Por cada novo brilho no olhar e ensinamento diário. Ela é dona de si, preza o autoconhecimento e não tem vergonha de dizer que prefere um livro à uma festa até a madrugada. Bebe suco de laranja em meio a gente bêbada de dores esquecidas e sabe ser feliz sem precisar de outras essências além da dela. Cara, ela não é tudo isso que almejam por aí, mas o que faz dela tão interessante é que é apenas, ela mesma.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

AVISO IMPORTANTE!

Primeiro, devo pedir desculpa por não me pronunciar antes. Então, me perdoem :(

Segundo, o aviso é o seguinte:

O blog está em reforma (layout, temática, talvez até nome e possivelmente vem por aí um canal no youtube). Então acalmem-se que 2017 vai ter novidades... 

enquanto isso vou postar de vez em quando algum texto por aqui e vou estar presente nos blogs em que sou colunista: O Amor é Brega e Superela. Certo?

Love vocês! 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Não me culpe por amar demais

Não é como se eu pudesse controlar os meus sentimentos, para falar a verdade nem sequer disfarçar meus excessos eu consigo bem. Talvez soe exagerada essa minha mania intensa de sentir, mas não me culpe por ser assim. Eu só não entendo bem quando as pessoas economizam sentimento, fico me perguntando por quanto tempo pretendem deixar o pó acumular lá dentro.  

Não sou do tipo que guardo o amor para depois e me desculpe por não me desculpar por isso. Só acho que sentimento foi feito para ser demonstrado, não vejo sentido em inibir a força de algo tão bonito. Talvez eu realmente faça papel de trouxa como você me disse, talvez soe auto-mutilador com o meu coração transbordar amor sem esperar algo em troca. Mas sabe, não me importo. Se o amor fosse para ser retribuído, talvez soasse mais como mercadoria e menos como sentimento.

Não se ama esperando ser amado de volta. Reciprocidade é algo que não podemos exigir, é o livre-arbítrio do outro. Talvez realmente eu faça esse papel de menina inocente que não conhece a vida e acha tudo lindo com borboletas e pássaros voando num céu azul. Entretanto, eu conheço a tempestade e mesmo assim insisto em amá-la do seu jeito turbulento que vem para confundir as minhas certezas. Sem ela, quem eu seria? 

Posso ser trouxa por dar amor a alguém que me retribuí com ódio, mas a gente dá o que tem no coração, não é? Não me culpo por amar mais do que o que dizem ser necessário, não me sinto nada culpada quando tentam me dizer que talvez meu erro seja ser boa demais. Ninguém erra em ser bom, mesmo que ser assim possa machucar de alguma forma. Não é errado transbordar amor por aí, vai por mim. 

Você cresce e descobre que sim, o amor é complicado. Sentir é complicado. Nem por isso consegue deixar de praticar esse simples ato incontrolável. Não vale a pena tentar aprisionar o que não tem consistência, não há muros que inibirão a vontade do sentir. Há apenas máscaras, finas camadas de frieza e gelo que permanecem por momento, mas logo derretem. Não adianta engaiolar o amor, ele foi feito para ser livre.

Faço papel de trouxa sim, com orgulho. Não porque vivi pouco o suficiente e não me decepcionei com o amor, mas sim porque já conheci o lado negro do que é controlar um sentir que não consegue ser domado. Se ser trouxa para você é amar em excesso, assumo meu papel. Só não me culpe por amar demais, principalmente quando é puro amor que se reprime aí dentro.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Você que já experimentou a vida, tem gosto de quê?

Vejo tantos amores vagos, tanta rotina sem rumo, tanto caminho sem nexo, tantos porquês sem poréns e me pergunto: quem, no meio disso tudo, já experimentou viver? Digo, viver de fato, além do que aparenta. É tanta obrigação lá, responsabilidades aqui, cumprir horários ali e o tempo para a vida de fato acaba sendo esquecido. Parece que vivemos uma vida para só os outros tomarem proveito e esquecemos que temos um prazo de validade no mundo, uma data limite imprevisível. 

Às vezes fico pensando que nossa grandeza principal como seres humanos mais nos leva ao extermínio, do que à glória. De que vale uma vida inteira dedicada fortemente a algo se privando de viver realmente se ao final terá pouco ou nada como proveito? Não digo para não haver dedicação naquilo que se almeja, digo para não haver tanto apego ao material. Para se deixar sentir a vida de outros modos.

Bem aventurados são aqueles que no caos do mundo superam a rotina e mergulham de cabeça no que é realmente a vida. Aqueles que se entregam inteiros: de corpo, alma e coração. Os que não tem medo de ser vulneráveis e sim, entendem que ser forte é se arriscar por saber que a vida é breve demais para se privar de certas coisas pelo medo de se machucar. 

Você que já experimentou a vida, tem gosto de quê? É, você que em meio as leis que regem o mundo encontrou um jeitinho de aproveitar sua existência no mundo, vem cá, me diz. Consegue descrever para mim a sensação de liberdade que percorre por dentro? Ser livre não é apenas pensar como se a porta de uma grande gaiola estivesse aberta, é se permitir conhecer outras gaiolas de tempos em tempos só para aproveitar a paisagem do caminho que liga todas elas.

A vida é muito mais que as obrigações. É muito mais que o cansaço no fim do dia, é a recompensa do esforço diário curtindo aquela sua música favorita, é se desprender do mundo para encontrar a si mesmo. Viver não se resume apenas a existir, milhões andam como bonecos de plástico pré-programados para agir. Não seja como eles, não só experimente, mas deguste da vida com vontade. 
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