terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

E o amor, amor, para onde foi?

Ontem vi você vagando entre o burburinho de pessoas, pelo horário devia estar voltando do trabalho. Avaliei involuntariamente seu jeito meio desengonçado, seus passos largos e decididos junto a essa postura superior que passou a adotar. Reparei no quanto um ano ou dois podem mudar uma pessoa e depois de semi julgar todo seu embaraço acabei por lembrar de mim no meio da confusão. Eu que com passos curtos e uma forma de andar menos decidida continuei a mesma garotinha de quinze anos que conheceu, pois é, já estou quase com vinte e ainda permaneço com rostinho de menina inocente. Rostinho e coração, haja paciência a dele comigo. 

Eu que escorada no poste da parada de ônibus te olhei passar por mim sem nem me ver, sem querer me notar, ignorando a existência de alguém que um dia já fez parte do seu mundo. Eu senti quando prendeu a respiração, enxerguei seu olhar te contrariando e me observando pelo canto do olho. Não precisava estufar o peito, já ando sabendo que cultiva o amor próprio. 

Sabe, não consigo entender esse tipo de coisa, sei que pessoas vem e vão, mas e as que ficaram? E o que ficou como se apaga? Não aprendi sobre essa tática ainda, não esqueci os rostos que sorriram para mim por tanto tempo, nem as mãos que seguraram firme as minhas na montanha-russa das emoções. Eu, com coração remendado e uma maturidade precoce ainda não entendo como se faz para ignorar quem um dia já fez morada.

E o amor, amor? Para onde ele foi? Onde é que você guardou todo aquele sentimento que era cuspido pelo seus lábios em sussurros no meu ouvido? Onde colocou todas aquelas palavras que numa manhã viravam um rap aleijadinho e no fim da tarde melodia harmoniosa? Gostaria mesmo de saber se foi realmente possível esquecer aquele nascer do sol fresquinho na beira da praia numa manhã de Carnaval enquanto o mundo se afogava na ressaca. Adoraria decifrar esse teu olhar perdido na lembrança de uma relação entrecortada. 

Sei que existem momentos que não queremos lembrar e há dores que nos cutucam de vez em quando, mas não é necessário estrangular todo o resto por uma memória ruim. Como eu gostaria de olhar nos teus olhos e dividir um abraço sensível, dizer que te quero bem e ver reciprocidade. Enxergar aquele amor adolescente, aquela história que fez nossos passos mudarem, nossas atitudes se formarem, nossa vida seguir outro rumo. Queria mesmo que aquele sentimento que foi se dissipando, criando outras formas, outras cores, não fosse totalmente esquecido, não fosse deixado de lado a pegar pó. Ei amor, onde foi parar o nosso amor? 

**Texto baseado no tema "Para onde foi o amor?" de fevereiro do grupo +QP - Mais Que Palavras**
Indico: Do Fundo do Mar | A Míope

17 comentários:

  1. Olá, tudo bem?
    Menina que texto belíssimo, você leva MUITO jeito com a escrita, a faz de uma forma simples e deliciosa de ler, impregnada de sentimentos, impossível não amar, sério, parabéns!!!

    ✩ Voando Sem Peter ✩

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    1. Awn, como responder um comentário desses? Muito, muito obrigada, mesmo! ♥

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  2. Meuuuuu Deus do Ceu, como ainda não escreveu um livro? Se já não tem um. Você escreve muito bem, parabéns!
    E ainda por cima, sem dizer que praticamente detalhou minha história vivida dos meus 14 anos, temos um ano de diferença na sua escrita, eu tinha 14 e hoje estou com 20 e você tinha 15 e hoje está com quase 20.
    Incrível como as coisas são né, se passam tantos anos mas nossa memoria é tão maravilhosa, que dificilmente esquecemos de detalhes pequenos, pequenos para alguns na verdade, mas imensos para nós!

    Estou amando seu blog, já coloquei na minha gadget "Blogs Fodas ♥" assim não perco seu link. Não sei como não o encontrei antes...

    http://umamamaeescritora.blogspot.com.br

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    1. Me abraça! ♥
      É difícil alguém que não passe por momentos assim, mas pensemos pelo lado bom, certas coisas nos fazem amadurecer e enxergar a vida de outra forma. Tem males que vem para o bem e memórias que são gostosas só por serem memórias.

      Awn, muito obrigada flor! ♥

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  3. "Sabe, não consigo entender esse tipo de coisa, sei que pessoas vem e vão, mas e as que ficaram? E o que ficou como se apaga? Não aprendi sobre essa tática ainda, não esqueci os rostos que sorriram para mim por tanto tempo, nem as mãos que seguraram firme as minhas na montanha-russa das emoções. Eu, com coração remendado e uma maturidade precoce ainda não entendo como se faz para ignorar quem um dia já fez morada."
    Ameii esse texto,a verdade é que muitas pessoas tentam ignorar o passado ao invés de guardá-lo e usá-lo como experiência.
    Incrível <3
    Beijos ^.^

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    1. Que bom que gostou flor! ♥
      Realmente, mas deveriam guardar, tudo nessa vida é experiência, não esquecimento. Não é? ♥

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  4. "Sei que existem momentos que não queremos lembrar e há dores que nos cutucam de vez em quando, mas não é necessário estrangular todo o resto por uma memória ruim." Que coisa mais linda, sem palavras pra esse trechinho (como pra todo o resto do texto). Simplesmente lindo, tu escreve bem demais e sempre fico apaixonada quando leio teus textos hehe.
    Beijos =)

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    1. Awn, muito obrigada Mari!! ♥
      Eu é que fico honrada em te receber aqui e ler tanto comentário lindo! ♥

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  5. Esquecer, não esquece. Mas amor acaba mesmo. Não sei se feliz ou infelizmente.

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    1. Concordo, feliz ou infelizmente mesmo! ♥

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    2. Agora que vi a indicação!!!! #distraida
      Obrigadaaaa <3

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  6. Adorei o teu texto, Gabrielle, cheio de reflexão e sentimento. Me prendeu do início ao fim.

    Beijos
    www.colecionandoprimaveras.com.br

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  7. Você lacrou com esse texto, amei demais <3 inclusive até indiquei no meu blog hahah Parabéns pelo texto, sério mesmo.
    E eu adorei o projeto que você criou, já até entrei no grupo de fb.

    Bjs
    oh, wow, lovely ❁

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